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domingo, 19 de fevereiro de 2012

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quinta-feira, 17 de março de 2011

Dicas Odontológicas Para Saxofonistas

 
 
 
 
Um dos pontos mais importantes para se obter um som agradável em toda extensão do sax está relacionado com a embocadura. Quando iniciamos a nossa caminhada em descobrir os prazeres do sax, nos deparamos com alguns obstáculos com relação à embocadura. A salivação aumenta (parece um Boxer), a musculatura da face dói (dá vontade de desistir), os dentes superiores ficam sensíveis e os inferiores parecem uma navalha sobre a parte interna do lábio. Isto é uma adaptação pela qual todo o conjunto orofacial passa. Neste artigo o Dr. Fabio de Sousa estará abordando alguns tópicos interessantes e que trazem dúvidas a nós amantes do sax.

Embocadura x Salivação
Todo iniciante passa por esse tipo de situação, ou seja, é só começar a tocar que a salivação aumenta. Isso é extremamente constrangedor e interfere na sonoridade. Algumas notas deixam de sair; a boquilha, a palheta e o tudel parecem que estão ligados na torneira. A essa altura o iniciante perde a paciência, acha que isso não vai ter fim... Mas quero dar uma pequena explicação porque isso acontece e o que fazer. Tudo que é colocado no interior da boca gera um estímulo físico e químico. A saliva possui algumas funções importantes (ex: digestiva, lubrificante, tampão, etc...), que atuam especificamente em cada área.

Quando a boquilha é introduzida na boca ela gera um estímulo físico, estimulando as glândulas salivares a produzirem saliva. Com o passar do tempo essa salivação diminui (quem não se lembra de quando começou a tocar e babava como um boi). O que vale salientar é que a salivação varia de pessoa pra pessoa, ou seja, cada um apresenta um grau diferente de salivação (uns mais e outros menos). Outro fator importante é sobre o pH da saliva. O normal é um pH neutro (pH = 7,0), mas existem pessoas com saliva ácida (pH <> 7,0). O que isso quer dizer? É que a saliva ácida apresenta um poder de oxidação maior do que as outras. Pra saber qual o tipo de saliva o dentista faz um teste de pH, mas o mais simples é enxugar bem o sax internamente com o auxílio de algum tecido absorvente. Não pense que isso seja frescura! Fazendo isso você estará prolongando o tempo de vida do seu sax.

Embocadura x Musculatura
Este é um ponto muito importante para se tirar um som bonito. Quando começamos a tocar sax toda a musculatura desenvolve uma fadiga. É muito esforço realizado. Chega um momento em que a pessoa não consegue nem envolver a boquilha com os lábios. O ar escapa pelos cantos e conseqüentemente as notas não saem. Isso é uma fase de adaptação. É semelhante quando uma pessoa começa a fazer exercícios em uma academia, dói o corpo todo, mas após 15 dias ela já não sente mais aquelas dores e já pode aumentar a carga dos exercícios.

Da mesma forma ocorre com quem toca sax, após a fase de adaptação a “carga” pode ser aumentada. Essa dor ocorre pelo acúmulo de ácido lático na musculatura. Com o passar do tempo esse excesso é reabsorvido pelo organismo e a dor passa. Vale salientar que a musculatura precisa estar em constante exercício, para que não volte o acúmulo do ácido lático. Por isso, uma dica pra quem está começando é treinar essa musculatura quando não está tocando, fazendo movimentos repetitivos como se estivesse fazendo “bico” (essas repetições devem ser feitas até a pessoa sentir o começo da fadiga, descanse um período e volte a fazer esse exercício).

Importante: a embocadura correta é aquela em que se usa o apoio dos dentes superiores sobre a boquilha, se você não faz dessa forma saiba que a sua musculatura estará sobrecarregada e você estará limitado para tocar.

Embocadura x Dentes
Sabemos que os dentes são de grande importância, por isso a ausência de um ou alguns influi diretamente na afinação. Quando analisamos saxofonistas que possuem os dentes anteriores artificiais, seja por uma dentadura ou ponte, o som emitido é completamente diferente de quando os dentes são naturais. Por isso cuide bem de seus dentes para que possa tirar um som legal de seu sax. Já sabemos que o apoio dos dentes sobre a boquilha é muito importante, mediante isso vamos entender um pouco o que a vibração sobre os dentes pode causar. Toda força aplicada sobre os dentes é absorvida pelo periodonto (são fibras que desenvolvem uma função semelhante aos amortecedores) e transmitidas para o osso. A vibração transmitida pela boquilha segue esse caminho: dente –> periodonto –> osso. Por isso, todo esse conjunto (dente + periodonto + osso) tem que estar saudável para que possa suportar as vibrações. É extremamente importante que se faça uso de borrachas amortecedoras sobre as boquilhas, principalmente as de metal, pois são mais duras do que as de massa. Esses protetores existem de várias espessuras, por isso ninguém pode dar desculpas que vai interferir no som. As conseqüências do não uso desses protetores são maiores do que se imagina.

A constante vibração sobre os dentes pode causar : mobilidade dental, trincas no esmalte (podendo aumentar até atingir a dentina), inflamação do canal (tendo que ser feito o tratamento de canal, enfraquecendo o dente)... Estou certo de que ninguém quer ter algumas dessas complicações nos dentes ! Por isso, meu caro colega saxofonista, não deixe de cuidar de seus dentes e de usar os protetores. Outros casos que tem incomodado alguns músicos são problemas com dentes desalinhados, alguns mais altos e dos dentes inferiores terem a borda fina (o que machucam demais a parte interna do lábio inferior). No caso de dentes desalinhados o mais indicado é a correção ortodôntica (aparelhos também interferem no desempenho, mas é passageiro) ; no caso de algum dente inferior ser mais alto que os demais; o procedimento mais indicado é o uso de uma pequena e fina placa de silicone encaixada somente nos dentes da frente (essa plaquinha é indicada também para dentes com a borda fina) e para os dentes superiores é usada uma placa semelhante mas de resina. Essas placas são feitas por dentistas (já fiz várias e o resultado é ótimo) e não interferem no som , desde que sejam feitas por profissionais.

Não faça como um colega nosso que relatou no fórum que foi ao dentista para lixar os dentes deixando-os nivelados (o pior foi o dentista ter cometido esse absurdo). Como sou dentista e saxofonista já tenho a prática de como essas placas tem que ficar para não interferir no som, mas ao mesmo tempo solucionem o problema.

Espero ter solucionado algumas dúvidas.

Um grande abraço a todos.


Dr. Fabio de Sousa Lima
Créditos: Portal do sax

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Como escolher um Saxofone

O sax sempre foi um instrumento elitizado. Um sonho de consumo que permitiria chegar a forma de expressão artística mais fascinantemente encantadora, além de ser extremamente charmoso, e por conseguinte, sinônimo de “status”. Os grandes fabricantes do início do séc. XX fizeram deste período o mais criativo, requintado e o mais importante da história na sua produção. Compunham uma miscelânia de obra de arte e jóia preciosa que ajudou a perpetuar o desejo insaciável por este instrumento.

A produção de saxofones é históricamente reconhecida e imortalizada pelos franceses com o SELMER, criando o mito à partir da década de 30 com o Balanced Action até a década de 70 com o Mark VII, passando por vários modelos e inovações mecânicas e ergonômicas. Anteriormente, com os americanos, CONN, BUESCHER, KING e MARTIN; posteriormente com os alemãs B&S e JULIUS KEILWERTH, e os japoneses YAMAHA e YANAGUISAWA.

Hoje, o mercado nacional é dominado pela Yamaha, líder absoluta na preferência dos jovens consumidores, por dispor todo seu “Know How” a favor de um excepcional aproveitamento didático. Seguida de perto pela JUPITER (Taiwan), ainda com muitos modelos e séries desconhecidos dos brasileiros, mas com excelentes resultados no mercado. Porém, quem realmente fez a diferença no nosso mercado (bem no início do século XXI) derrubando os preços, foi a febre invasora de instrumentos de sopro chineses, os pejorativamente chamados “CHING LING”, por não terem nenhum compromisso eminente com o alto padrão de qualidade exigida nos conservatórios e universidades, nem com as mínimas necessidades dos estudantes_ como boa sonoridade e projeção, afinação e ergonomia.

Então, dentro desta diversidade, como proceder para escolher o seu primeiro saxofone?

1. Decida o valor máximo do seu investimento_ Este número incidirá entre R$1.000,00 e R$5.000,00 aproximadamente, se for um sax alto (este é didáticamente aconselhável); os tenores e sopranos dentro de uma mesma marca e modelo, são mais caros e impõem um pouco mais de dificuldade aos seus estudos;

2. Escolha uma marca com o melhor histórico de aceitação_ Pesquise bastante, converse com profissionais e/ou estudantes experientes;

3. Faça uma compra racional_ Entenda que na compra de um sax dentro do que apresentam-lhes como sendo um “BOM CUSTO-BENEFÍCIO”, (que já virou lugar comum) a perda do seu investimento é instantânea e substancial;

4. Observe aspectos como:
4.1. A Regulagem_

  • Ergonomia (Qual o sax mais confortável? Compare! Analise alturas de chaves, o peso das molas, a resposta mecânica e ângulo de abertura do todel);
  • Mecanismos com dois tempos, movimentos seccionados são frequêntes?
  • Existem degraus entre chaves (comuns entre: Dó3/Ré#3, Si4/Fá5 frontal e Sib2/Si2/Dó#3/Sol#3e4);

4.2. Vazamentos_ no caso de instrumentos novos, podem ser causados por bocas amassadas, sapatilhas mal colocadas e qualquer chave, haste ou coluna fora de lugar, considere até falhas como campana torta, etc.

4.3. Sonoridade e Projeção_ É importante ouvir o instrumento, avaliar seu timbre e como é lançado este som, qual o seu alcance; análogamente, projeta em IR (som direto de pouco alcance) ou como Bluetooth, uma projeção que envolve todo o ambiente?

4.4. Acabamento_ Inclui uma análise dos pontos de solda, da ressistência estrutural e da cor do seu futuro instrumento. Podem ser laqueados, niquelados, dourados, prateados ou coloridos; prefira o que envolvem metais nobres, isto valoriza seu sax, sonora e monetáriamente.

4.5. Recursos_ Refiro-me a opções de digitação que lhes proporcionarão mais conforto e principalmente mais velocidade; são estas, partes integrantes da grande maioria das linhas de produção: o Fà Sustenido da 3a. oitava (F#5), o Fá frontal (F5_ localiza-se ligeiramente acima da chave do Si3/Si4), Si Benol na mão esquerda (Sib LH), Sol Sustenido articulado (este pode ser acionado também por qualquer outra chave_ B2, Bb2 e C#3_ que compõe um conjunto de mecanismos chamado mesa.

A aquisição de um saxofone deve ser orientada, mais pela razão do que simplesmente pelo calor da emoção no momento da escolha do seu primeiro instrumento.
- Pareço gélido e sem coração ao transmitir-lhes isso, mas pense no seu futuro como instrumentista, você merece o melhor desde o início de sua carreira; e definitivamente você não tem que tocar o suficiente para adquirir o sax do seu sonho, ele é quem te conduzirá ao sucesso!

Faça uma boa escolha e até a próxima.